sábado, 17 de setembro de 2011

Caminho de Volta - Olhar no Espelho

 Sinto a Onda. Duas verdades convergem em duas verdades, o acreditar no temor e a concentração no centro do ser. Sem razão para fazer o que fazem sem razão, tantos irmãos sucumbem à escuridão, e em si o seu Vazio faz ecoar o som do silêncio que não permitem. Tão cheio de dores que não o são, vagueiam confusos, entram e saem de si e do salão.
 Quem purga sem sorrir não se harmonia, e a sua dor é multiplicada pela dor dos que dela se aproveitam, dos que procuram o alívio e se canalizam para quem purga. Porta aberta da sala com desculpa de alívio, na realidade Portal para descarrego dos ais nos ais dos outros. Em mim o potencial de descarrego me centra em mim, me leva a ver que também eu Sou nos que vagueiam e também eu Carrego a sua dor, como tanta dor minha carreguei até então.
 Nos olhos sinto a lição do mestre interno: todos estamos no mesmo ponto, com o mesmo processo, e todos somos os espelhos e os Párias de cada alma. A Harmonia vem do Desapego, da Aceitação. O nosso lugar é o papel que cada um desempenha em si mesmo.
 Energeticamente estamos ligados, energeticamente vibramos juntos, com o Amor interior e o Amor da planta. No centro da floresta todos somos o Colibri que encanta e sopra a calma. E em todos a centelha da Águia chama a chama da Santa Cura.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Lição Primeira - Aprender a Ver

Tudo me testa,
Tudo é motivo
Para abandonar.
O entrar e sair,
O levantar, o deitar,
Tudo é brusco
Confuso e cheio de dor.
Ninguém aceita a Onda,
Ninguém se permite a ter
O Seu momento, a sua Cura.

Quem purga sem Sorrir
Não retorna em Harmonia
E encarna o Portal
Dos que se recusam.
E vagueiam, vagueiam
Navegando cabisbaixos,
E seus ais lembram os meus,
Suas mortes adiadas
O meu medo de me sentir.

E nesse medo me calo.
E nesse medo me escuto.
E nesse medo me observo,
Observo o medo
E nos seus olhos sinto a lição.

Eu sou Eles.
Eles são Eu.
Meu espelho o deles
Tudo nos testando,
Todos com todos os motivos
Para abandonar.
E todos vagueamos
Vagueamos por Amor.
E todos ondeamos,
Nos curamos em Amor.
Tanto que anda o Mundo,
E de mãos dadas,
Tanto que andamos nós.

E voltou o Sorriso
A Águia pousou.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Caminho de Volta - O Segredo do Doutor

 Quando surge a anaconda, a mesma dos meus sonhos, a mesma de que tanto ouvi falar, apercebo-me do quão especiais somos. É um privilégio assistir ao seu deslizar, ao seu envolver. Sempre alerta, vai nos visitando um a um para anunciar a chegada do Doutor. Olha-nos nos olhos e neste olhar vislumbramos uma centelha do Infinito, as mágicas emanações de um brilhante Sol eclipsado. Quando se esfuma nasce o silêncio.
 Do silêncio, tão importante silêncio, vem o dom da Palavra, a palavra do Pai, do Pai Eterno, e do Doutor que vem curar. Sua canção é de alegria. Seu canto é profundo, e nos fala da memória e dos tesouros, para nós e quem vem de nós. Não é o tempo de chorar. É tempo de limpar o corpo e o coração, com a vibração da Luz do Alto e o bater do tambor.

sábado, 3 de setembro de 2011

Para Todos, e Seus Filhos

No silêncio surges,
Deslizando segura
Sem nada perturbar.
Vieste ver quem veio,
Quem quer saber.

Quando nos tocas,
Nos teus olhos olhamos
E percebemos,
É chegada a hora,
A hora do Doutor.

E hoje sabemos,
A sua lição,
Limpar o corpo
E curar o coração.

Não quero ver ninguém triste hoje.
Sim, Pai.
Hoje é um dia muito especial,
Quando todos estiverem limpos,
Vos ensinarei
O segredo da Felicidade,
Para todos, e seus filhos,
E o filhos de seus filhos,
Que sempre saibam sorrir.

O seu amor é líquido,
E é uma canção
E nos inunda
E nos preenche,
Que nos vibra
Que de nós fala
Que nos faz Ser.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Caminho de Volta - Harmonização com o Novo Sol

 Esperando. Vou esperando com razão mas sem propósito. Ou assim o penso. Será? Com confiança na cura, aceito as medicinas desconhecidas. Estrondo de luz, como um raio, subindo as fossas nasais, em direcção ao céu! Será o Sol? Será o Sol em mim? Sei que é a Medicina que corre pelas minhas veias, chamada pelo relâmpago divino.
 Sei que opera em mim, mas senti-la assim tão... viva? Que sensação avassaladora, que rendição ao seu amor. Não percebo como, mas sinto que ela precisa de mim, como eu preciso dela. E da doçura e entrega se levanta o pano, se inicia o teatro, o meu teatro.
 Na confusão chega o silêncio, e dele surge o seu beijo e as suas palavras de calma, amor e de cura. A sua promessa de doçura renova a minha confiança no processo. Tudo será claro e sem dor. E ao chegar o novo dia chegará a harmonização com uma nova faceta da Madre, o Pai Sol.
 Que recomece a caminhada.

sábado, 20 de agosto de 2011

No Cair da Noite

Chamei, chamei,
E no cair da noite vieste.
E trouxeste todo o teu Amor
Para juntos celebrarmos.
Este é o caminho para ti,
Caminhar em ti,
Caminhar contigo.

Surgiste inesperada,
Mascada, lambida, inalada,
Tão fundo entraste
Antes de entrar.

Já o mereceste,
Hoje é para ti,
A consciência, a memória,
Hoje vais ser.
Doce e meiga,
Concentrada Cura.

Hoje te embalo,
Hoje sussurro.
No dia do Poder
É teu o prazer,
E só te peço um sorriso.
Porque chamei, chamei
E no cair da noite vieste.
E trouxeste o teu amor, criança,
Para juntos acordarmos.


E quem te olhar nos olhos saberá
Que juntos caminhamos,
E que da nossa harmonia
Nascerá o Sol.
Assim serás, criança-homem.

sábado, 30 de julho de 2011

Farol das Almas - Portador da Mensagem

Estou inteiro. Sou Inteiro.
Preparado para sentir,
Guerreiro pacífico, renascido
Do Som, da Dança, da Postura.
Não é meu o sonho que sonho
Apenas sou Farol das Almas,
Portador da Mensagem,
Sou Brilho do Sol, sou Brilho da Lua,
E dou-vos brilho, pequenas estrelas,
Porque todos me acompanham.

E quando Ela fala
Vocês escutam atentamente,
E quando Ela convoca
Se apresentam prontamente.
E quando Ela chora
Todos a abraçam,
E quando ela canta
Todos nós purgamos.

É esse o Seu amor,
É esse o meu amor,
É esse o vosso amor.
Tão grande o Amor
Dos que se desafiam.
É esse o nosso Destino,
Barca naufragada
Sem Medo de naufragar,
Nunca mais.
Minha voz, a vossa voz,
Meu canto, o vosso canto.

Nosso é e sempre será
O prazer de ondular,
A certeza que ao beber,
Quando Ela nos matar,
Acordamos para o viver.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Caminho de Volta - Solidão e o outro lado

 Catarse. Primeira, quinta ou décima toma, perfeito e oportuno é o momento da integração. Exacta a hora em que as exactas palavras são proferidas exactamente para nós. Por vezes duras, palavras de Verdade, palavras de Amor. Invocado poder pessoal, interior, superior. Centrada e acutilante, a voz que rompe o véu do som nos mantém, inteiros, ancorados. Uma voz de amor que não é minha, mas que vibra na minha, que se esgueira pelas brechas nas minhas barreiras e encontra o caminho mais rápido para o meu coração.

Devemos viver na terra
Com toda a satisfação
E se queremos ter a vida
Agradecemos a nossa mãe

 Quando o choro invocamos, devemos sempre levar um presente: o perdão. Quando a solidão nós visitamos, devemos sempre levar um presente: o silêncio. Só no nosso próprio silêncio mais profundo é que escutamos. E aquela voz, que de fora nos assolava, irrompe das profundezas do nosso ser, doce, melodiosa. E, quando vibra no mesmo amor que a voz do Pai que encarnou, nasce a harmonia da Cura.

 Nova mensagem, nova verdade, novo propósito, que só surge porque merecemos. Do outro lado do espelho, do outro lado do som, estão as palavras de poder, está o inteiro, impecável.

 Seremos como Ele, um dia?

quarta-feira, 13 de julho de 2011

In mortal - Integração

Acorda!
São horas.
Já acabou?
São horas de ouvir o Pai,
Vai falar só para ti, por seres especial.
Porque me achas especial?

Acorda!
São horas.
Já começou?
Senta-te junto a mim,
Só nós os dois.
Tenho uma surpresa para ti,
Só para ti, por seres especial.
Porque me achas especial?

Acorda!
São horas.
Já bebi?
Chegou o momento,
O momento de me integrares.
Quem és tu?
Eu, sou Tu,
Não te lembras de mim?
Sou aquele que fala contigo
Quando estás sozinho.
Sou aquele que cuida de ti
Quando te sentes abandonado.
Sou aquele que canta para ti
Quando não consegues dormir.
Sou aquele que te dá a mão
Quando caminhas no escuro.
Chegou o momento,
O momento de me integrares,
Só por seres especial.

Aceito-te e abraço-te
Meu Amor, meu Eu.
Deita fora tudo isso,
Todas essas falsas memórias,
Memórias de estar sozinho, sem amor,
(Vomito)
Pois sempre contigo estive.
Quando te olhares no espelho,
Verás os meus olhos
Por trás dos teus,
E nunca estarás só.

Somos Um.
Somos Muitos
E Todos sorrimos.
Ouve o Pai.

sábado, 9 de julho de 2011

Caminho de Volta - Criança. O Poder do Nada

 Com a Verdade me Limpo. Com a Verdade me Curo. No seu abraço procuro conforto, procuro luz, mas lá nada encontro além de Verdade. Porque só o É, não tenta ser nada mais, mesmo que a tentemos mudar. Não é algo que nos procure, não é algo que nos encontre, é um fardo que não o é, e o carregamos em nós com culpa. Não tem de o ser.
 Tudo na Verdade é puro. Puro como uma criança. Puro como o Nada nas mãos de uma criança. E todos não somos mais que crianças, inocentes, caminhantes, curiosas. Os nossos erros não o são, são o resultado da experimentação, são partes de um Todo que está Certo. São partes tão importantes como as conquistas. São conquistas, tão simples como a aceitação do Nada, um abraço no limiar do Purgatório, cujas lágrimas vibram com a verdade. Neste momento, a verdade é uma palavra: Perdão.
 E a Verdade nos segue e nos precede.
 A Verdade nos cura e nos atormenta.
 Superior a nós, nos mostra algo superior a nós:

 Nós mesmos.