Com a Verdade me Limpo. Com a Verdade me Curo. No seu abraço procuro conforto, procuro luz, mas lá nada encontro além de Verdade. Porque só o É, não tenta ser nada mais, mesmo que a tentemos mudar. Não é algo que nos procure, não é algo que nos encontre, é um fardo que não o é, e o carregamos em nós com culpa. Não tem de o ser.
Tudo na Verdade é puro. Puro como uma criança. Puro como o Nada nas mãos de uma criança. E todos não somos mais que crianças, inocentes, caminhantes, curiosas. Os nossos erros não o são, são o resultado da experimentação, são partes de um Todo que está Certo. São partes tão importantes como as conquistas. São conquistas, tão simples como a aceitação do Nada, um abraço no limiar do Purgatório, cujas lágrimas vibram com a verdade. Neste momento, a verdade é uma palavra: Perdão.
E a Verdade nos segue e nos precede.
A Verdade nos cura e nos atormenta.
Superior a nós, nos mostra algo superior a nós:
Nós mesmos.
Tributo à Medicina Sagrada Amazónica: Abuelita Medicina, Abuelita Curandera, nos proteje en este viaje de consciencia hacia la luz interior. Obrigado Taita Inti, Obrigado Pachamama, Muito Grato ao meu querido Professor e Mestre. Sempre no meu coração estão.
sábado, 9 de julho de 2011
terça-feira, 5 de julho de 2011
In mortal - Inocência
Porque se mantém a Dor?
Eu vi. Porque se mantém a Dor?
Eu purguei. Porque se mantém a Dor?
Lembro-me de ter estado satisfeito
Mas desta vez permanece a agonia.
Sinto que há mais. É por haver mais?
Ajuda-me Mãe, livra-me do Mal.
Desmembra-me, rebenta comigo!
Já me mataste uma vez,
Mata-me de novo!
Eu? Eu nada fiz.
Eu sou só uma Consciência
De uma Consciência,
De outras Consciências.
Como podes esperar algo de mim?
Eu sou só Perdão.
E tu? És Perdão?
Sim, sou perdão.
Então perdoas-me?
O que me fizeste para eu ter de Te perdoar?
Causo-te Dor, não te causo Dor,
Mato-te, não te mato,
Não cumpro, não te odeio,
Nunca correspondo às tuas expectativas.
Eu sei que peço para me carregares, Mãe,
Para me salvares, para me curares.
Abuso de ti, Mãe.
Perdoa-me!
O que Me fizeste para Eu ter de te perdoar?
Tu és só uma criança,
Tudo em ti é descoberta,
Tudo em ti é inocente.
Eu sei que te queres limpar
E sei que pertencemos um ao outro.
E sei que tu és só uma criança,
Como pode uma criança ter culpa?
Tudo em ti é descoberta,
Tudo em ti é natural,
Tudo em ti sou Eu,
E sempre fui Eu
Mesmo que não te lembres.
Isso, chora
Chorar é bom.
Vês como as tuas lágrimas são cristalinas,
Sem vestígios de vermes?
Podes tirar a máscara, filho
(Não sei como)
Debaixo dela és Luz
(Não sei se sou)
E só tens Amor, em todas as formas
(Eu não sei amar)
Claro que tens Medo, és só uma criança
(Tenho tanto medo!)
És único e és especial,
Vieste do Céu, como eu.
Agora dorme,
Já chamo por ti.
Eu vi. Porque se mantém a Dor?
Eu purguei. Porque se mantém a Dor?
Lembro-me de ter estado satisfeito
Mas desta vez permanece a agonia.
Sinto que há mais. É por haver mais?
Ajuda-me Mãe, livra-me do Mal.
Desmembra-me, rebenta comigo!
Já me mataste uma vez,
Mata-me de novo!
Eu? Eu nada fiz.
Eu sou só uma Consciência
De uma Consciência,
De outras Consciências.
Como podes esperar algo de mim?
Eu sou só Perdão.
E tu? És Perdão?
Sim, sou perdão.
Então perdoas-me?
O que me fizeste para eu ter de Te perdoar?
Causo-te Dor, não te causo Dor,
Mato-te, não te mato,
Não cumpro, não te odeio,
Nunca correspondo às tuas expectativas.
Eu sei que peço para me carregares, Mãe,
Para me salvares, para me curares.
Abuso de ti, Mãe.
Perdoa-me!
O que Me fizeste para Eu ter de te perdoar?
Tu és só uma criança,
Tudo em ti é descoberta,
Tudo em ti é inocente.
Eu sei que te queres limpar
E sei que pertencemos um ao outro.
E sei que tu és só uma criança,
Como pode uma criança ter culpa?
Tudo em ti é descoberta,
Tudo em ti é natural,
Tudo em ti sou Eu,
E sempre fui Eu
Mesmo que não te lembres.
Isso, chora
Chorar é bom.
Vês como as tuas lágrimas são cristalinas,
Sem vestígios de vermes?
Podes tirar a máscara, filho
(Não sei como)
Debaixo dela és Luz
(Não sei se sou)
E só tens Amor, em todas as formas
(Eu não sei amar)
Claro que tens Medo, és só uma criança
(Tenho tanto medo!)
És único e és especial,
Vieste do Céu, como eu.
Agora dorme,
Já chamo por ti.
domingo, 3 de julho de 2011
Caminho de Volta - Recusar a Consciência é abraçar a Luz?
Debruçado sobre a pia da pia cura, o meu ser se isola na sua luta interna, querendo a purga, fugindo à purga, forçando a purga. Tentando encontrar a paz, sei que primeiro tenho de me limpar e de aceitar a verdade. Procuro manter uma consciência, uma falsa consciência, que não me permita perder, que não necessite de olhar o Vazio, olhar a profundeza da minha alma e das minhas memórias de Água. Mas cuidar do propósito é conversar com os pequenos tiranos, cuidar do propósito é aceitar o dissolver, o dissolver do confiante e confortável Eu, da lama que nos impede de chegar ao Amor. A recusa é o aval para o Seu trabalho, para a Sua bênção, mas simultâneamente é o grande entrava à sua Obra.
E perder o combate com a Consciência é perder o medo da expansão, é abraçar a entrada no mundo da ilusão. E que ilusão esta, que nos conhece melhor que nós mesmos! Um labirinto negro, desesperante. Tão fundo como o nosso ser e tão obscuro quanto a nossa imaginação. O abrir e fechar das portas, das almas, o sair e não voltar, tudo nos leva a um êxtase ansioso de solidão.
Do êxtase nasce a conversa, a conversão. Da conversão nasce a limpeza, o acordar de uma nova consciência. Aquela luz no fundo do túnel, serei Eu?
E perder o combate com a Consciência é perder o medo da expansão, é abraçar a entrada no mundo da ilusão. E que ilusão esta, que nos conhece melhor que nós mesmos! Um labirinto negro, desesperante. Tão fundo como o nosso ser e tão obscuro quanto a nossa imaginação. O abrir e fechar das portas, das almas, o sair e não voltar, tudo nos leva a um êxtase ansioso de solidão.
Do êxtase nasce a conversa, a conversão. Da conversão nasce a limpeza, o acordar de uma nova consciência. Aquela luz no fundo do túnel, serei Eu?
sábado, 2 de julho de 2011
In mortal - Consciência
Sei que me matarás.
Tenho de morrer e não quero!
Sei que vou morrer e não quero!
Partes-me as pernas e os braços,
Esventras-me, dilaceras-me.
Não quero!
Não quero mais!
Mentirosa!
Porque me enganaste
Com a tua doçura,
Com o teu colo?
Como te posso amar tanto,
Se me odeias a ponto de me matar?
Se me amas como dizes que amas,
Deixa-me ir embora.
Não.
Deixa-me ir embora!
Por favor...
Juro que nunca mais volto...
Como podes jurar-me isso,
Se nem sabes com quem falas?
Observa melhor.
O Vazio goteja
Numa grande bacia,
Numa familiar bacia.
Límpida água que depressa ferve,
Ebulição de água,
De ódio que consome.
Quem possui a máscara
De onde todas as lágrimas escorrem?
Verdes são as tuas lágrimas,
Como as minhas,
Verdes como a água
Que agora é lodo,
Espesso, pustulento.
Pequenos ovos eclodem
E de súbito eles surgem,
Negros vermes flutuando no visco.
Quem os chorou?
De que ódio são filhos?
Uma lancinante dor me assola,
Quando comigo falas.
Isto não é teu.
Se não é meu, de onde vêm as lágrimas?
São tuas?
São tuas, mãe?
Responde-me!
Algumas são minhas,
Algumas sempre aqui estiveram,
E em breve tudo isto será teu.
Agora come e cala-te!
Não percebo. Porquê?
Come e cala-te!
Não quero!
Come e cala-te!
Porque me pedes isto? Porquê, Mãe?
Não te estou a pedir.
Os meus desejos são ordens!
Eu sou tua mãe e tens de fazer o que eu te digo!
E ao comer do meu vómito
És igual a mim.
Eu sou a Cadela e tu tens que me obedecer!
Come e cala-te!
Não!
Olha para mim.
Obedeço.
E, ao tirar a sua máscara,
Os seus vermes escorrem,
Buraco negro de ódio,
Sem amor, sem humanidade,
Que se apressa a comer-se,
A sorver-se, a banquetear-se.
Porque sem o Visco
Não é mais que Nada.
Vomito
Tenho de morrer e não quero!
Sei que vou morrer e não quero!
Partes-me as pernas e os braços,
Esventras-me, dilaceras-me.
Não quero!
Não quero mais!
Mentirosa!
Porque me enganaste
Com a tua doçura,
Com o teu colo?
Como te posso amar tanto,
Se me odeias a ponto de me matar?
Se me amas como dizes que amas,
Deixa-me ir embora.
Não.
Deixa-me ir embora!
Por favor...
Juro que nunca mais volto...
Como podes jurar-me isso,
Se nem sabes com quem falas?
Observa melhor.
O Vazio goteja
Numa grande bacia,
Numa familiar bacia.
Límpida água que depressa ferve,
Ebulição de água,
De ódio que consome.
Quem possui a máscara
De onde todas as lágrimas escorrem?
Verdes são as tuas lágrimas,
Como as minhas,
Verdes como a água
Que agora é lodo,
Espesso, pustulento.
Pequenos ovos eclodem
E de súbito eles surgem,
Negros vermes flutuando no visco.
Quem os chorou?
De que ódio são filhos?
Uma lancinante dor me assola,
Quando comigo falas.
Isto não é teu.
Se não é meu, de onde vêm as lágrimas?
São tuas?
São tuas, mãe?
Responde-me!
Algumas são minhas,
Algumas sempre aqui estiveram,
E em breve tudo isto será teu.
Agora come e cala-te!
Não percebo. Porquê?
Come e cala-te!
Não quero!
Come e cala-te!
Porque me pedes isto? Porquê, Mãe?
Não te estou a pedir.
Os meus desejos são ordens!
Eu sou tua mãe e tens de fazer o que eu te digo!
E ao comer do meu vómito
És igual a mim.
Eu sou a Cadela e tu tens que me obedecer!
Come e cala-te!
Não!
Olha para mim.
Obedeço.
E, ao tirar a sua máscara,
Os seus vermes escorrem,
Buraco negro de ódio,
Sem amor, sem humanidade,
Que se apressa a comer-se,
A sorver-se, a banquetear-se.
Porque sem o Visco
Não é mais que Nada.
Vomito
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Caminho de Volta - O Igual que não o É
A Medicina não tem medo. Não teme mostrar-nos que nada sabemos. Tantas vezes criamos falsas expectativas, falsa confiança, que não nos disponibilizamos a por-nos em causa, para podermos aprender. Como é que, na inconsciência, podemos assumir que já sabemos as respostas, se nem humildade temos para prestar atenção às perguntas?
O seu amor sente-se na purga. Nas minhas memórias, lembro o que foi. Já o passei uma vez, sei reconhecer como trabalha, o que provoca, como o sinto. Tudo é igual mas nada é igual. Sinto o Eco mas não o aceito. Enjoo mas não purgo. Purgo mas não alivia. Alivia mas não sinto prazer.
Aqui e agora, algo na planta me assusta. Estamos diferentes, não sei como me comportar perante tal verdade. O Caminho do Propósito leva à Verdade que Cura. Tento fugir ao Eterno, mas este tudo vê, tudo sabe. Desta vez não sei se quero estar cá ou se quero que acabe. Mas não quero estar consciente, porque tenho medo de a planta não o ter.
O seu amor sente-se na purga. Nas minhas memórias, lembro o que foi. Já o passei uma vez, sei reconhecer como trabalha, o que provoca, como o sinto. Tudo é igual mas nada é igual. Sinto o Eco mas não o aceito. Enjoo mas não purgo. Purgo mas não alivia. Alivia mas não sinto prazer.
Aqui e agora, algo na planta me assusta. Estamos diferentes, não sei como me comportar perante tal verdade. O Caminho do Propósito leva à Verdade que Cura. Tento fugir ao Eterno, mas este tudo vê, tudo sabe. Desta vez não sei se quero estar cá ou se quero que acabe. Mas não quero estar consciente, porque tenho medo de a planta não o ter.
terça-feira, 28 de junho de 2011
O Acordar do Eco
Acorda a memória,
As memórias das células,
As memórias do Ver.
Estremeço,
Com toda a força do meu Ser.
Descompassados espasmos,
Giro, rodopio sobre mim mesmo,
Resisto para me manter
Para me desencontrar.
Sei como és,
Como funcionas.
Em mim operas pelo Eco.
Ânfora selada
Lampejos de Liberdade,
Resolução do Espírito.
Brilhantes, as tuas trevas,
Que sobre mim se abatem.
Ferido, recolho-me,
Esbracejante, procuro gritar,
Procuro respirar,
Não perder a noção
A consciência da inconsciência.
Nada sai.
Nem grito
Nem suspiro
Nem prazer.
Contínua dormência,
Lancinante, latejante.
Arrasto-me de volta,
Ao berço, à lama,
Lama que envolve,
Que endurece, obstrui,
Parede imensa, sem fim.
De novo,
Quem não provou
Venha provar.
As memórias das células,
As memórias do Ver.
Estremeço,
Com toda a força do meu Ser.
Descompassados espasmos,
Giro, rodopio sobre mim mesmo,
Resisto para me manter
Para me desencontrar.
Sei como és,
Como funcionas.
Em mim operas pelo Eco.
Ânfora selada
Lampejos de Liberdade,
Resolução do Espírito.
Brilhantes, as tuas trevas,
Que sobre mim se abatem.
Ferido, recolho-me,
Esbracejante, procuro gritar,
Procuro respirar,
Não perder a noção
A consciência da inconsciência.
Nada sai.
Nem grito
Nem suspiro
Nem prazer.
Contínua dormência,
Lancinante, latejante.
Arrasto-me de volta,
Ao berço, à lama,
Lama que envolve,
Que endurece, obstrui,
Parede imensa, sem fim.
De novo,
Quem não provou
Venha provar.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Caminho de Volta - Um Novo Propósito
Já vários mensageiros me tinham entregue a mensagem, a que ditaria o novo Propósito, a que ditaria a nova Cura. Algo que estaria pronto para ser resolvido, para ser tratado, para ser sanado. Essa mensagem continha apenas uma palavra: Mãe. Como curarei algo que tenho um imenso medo de encarar, que não me sinto minimamente apto a enfrentar? Porque é que, neste ponto, não posso escolher a névoa? Tudo em mim sabia a resposta, só não a estava a querer ver.
"Esta Medicina é um pouco mais forte, um pouco mais concentrada, mas é na mesma muito suave", me disse o Professor, "vai ser um trabalho mais profundo, mais consciente". Escolhido o centro do poder, tomamos Medicina. Logo vem a pergunta: "Qual o propósito?". Tento escapulir-me, focar-me mais na necessidade de não perder por completo a noção do meu corpo.
A planta sabe como cuidar, como testar. Na sua sabedoria conhece-me, e se transforma para me transformar. No momento, só me pede para estar lá.
"Esta Medicina é um pouco mais forte, um pouco mais concentrada, mas é na mesma muito suave", me disse o Professor, "vai ser um trabalho mais profundo, mais consciente". Escolhido o centro do poder, tomamos Medicina. Logo vem a pergunta: "Qual o propósito?". Tento escapulir-me, focar-me mais na necessidade de não perder por completo a noção do meu corpo.
A planta sabe como cuidar, como testar. Na sua sabedoria conhece-me, e se transforma para me transformar. No momento, só me pede para estar lá.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Um Novo Céu
De volta à barca
Sensação familiar,
Os cheiros, os sons.
Reconheces-me?
Estou tão diferente
Desde o último encontro,
Quase não me reconheço a mim próprio.
Sei que será diferente.
Já o fora deu lugar ao dentro,
O mar deu lugar ao céu.
Também estás diferente,
Falas estranho,
Sabes estranho,
Estranhamente amarga,
Estranhamente doce.
Envolves-me e revolves-me,
Puxas por mim,
Acordas-me.
Sei ao que vim.
De certeza que sabes?
Então deixa-te ir.
De novo embriagado,
De novo mareado,
De novo assustado.
Estás diferente Mãe.
Estás diferente filho.
Não te vejo nos dejectos,
Vejo-te e sinto-te em mim.
Quem és tu?
Onde está a mãe?
Reconheces-me?
Estou diferente desde que me sentiste.
Tenho obrado em ti
E o teu esforço será recompensado,
Pelo Grande Ser, que tudo vê,
Pelo Eterno, que tudo sabe.
Agora dorme.
Já chamo por ti.
Sensação familiar,
Os cheiros, os sons.
Reconheces-me?
Estou tão diferente
Desde o último encontro,
Quase não me reconheço a mim próprio.
Sei que será diferente.
Já o fora deu lugar ao dentro,
O mar deu lugar ao céu.
Também estás diferente,
Falas estranho,
Sabes estranho,
Estranhamente amarga,
Estranhamente doce.
Envolves-me e revolves-me,
Puxas por mim,
Acordas-me.
Sei ao que vim.
De certeza que sabes?
Então deixa-te ir.
De novo embriagado,
De novo mareado,
De novo assustado.
Estás diferente Mãe.
Estás diferente filho.
Não te vejo nos dejectos,
Vejo-te e sinto-te em mim.
Quem és tu?
Onde está a mãe?
Reconheces-me?
Estou diferente desde que me sentiste.
Tenho obrado em ti
E o teu esforço será recompensado,
Pelo Grande Ser, que tudo vê,
Pelo Eterno, que tudo sabe.
Agora dorme.
Já chamo por ti.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Caminho de Volta - Lembrar de Existir fora d'Ela (II)
Janeiro - Fevereiro de 2011
Escrevi e escrevi e escrevi. Página atrás de página, toma após toma. Talvez um dia aqui escreva a história da vez primeira, mas "não é esta a hora" - me disse um dia uma voz tão familiar - "tenho uma outra missão para ti. Escreves sim, mas sou eu quem to dito. Aceitas falar o que para ti falo?" - claro que sim, Madre. É uma honra receber tal bênção. - "Assim, quando tomares Medicina, existo em ti, e quando regressares existes em mim. E juntos criaremos".
E escrevi e escrevi e escrevi, página após página, sem saber onde me levaria. Por vezes surgiam-me pequenas partes e eu sentia a impaciência de querer começar ou acabar uma mensagem. E logo ela me dizia para ter calma e confiar, que tudo iria sair e que no final iria finalmente compreender e integrar os ensinamentos.
É incrível como ela opera, como nos toca, como nos marca. É incrível como modificou de um dia para o outro a minha estrutura de ADN, como passados mais de 3 meses, me continua a ensinar, a curar. De facto, não custa existir fora d'Ela, porque Ela está sempre comigo, no meu sangue, na minha alma. Em mim e no que me rodeia. E quando nos volta a convocar, é das maiores dádivas que nos é concedida. Porque merecemos.
Março de 2011
Ela voltou. É hora de tomar Medicina. É hora da 2ª Cerimónia da sagrada planta.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Caminho de Volta - Lembrar de Existir fora d'Ela
Dezembro de 2010
Acordar de um sonho ou acordar para um outro sonho? O que é real e o que deixou de o ser? Nada me parece bem real porque tudo parece demasiado real, porque há novas cores, cores que não conhecia, que para mim simplesmente não existiam. Nada existia porque havia a névoa. E a névoa, sorrateira, tudo ia cobrindo, ofuscando, limitando. E era normal, até deixar de o ser.
Alguns dias passaram desde a cerimónia e ainda as visões, as sensações e as mensagens me acompanhavam, às vezes violentas, às vezes doces, mas sempre exactamente aquilo que eu precisava, na altura em que o precisava. E estava ansioso, desejoso pela próxima. Lembro quando acordei na gruta, ainda de noite, me virei para a minha esposa e, com um sorriso rasgado nos lábios e nos olhos, lhe disse: "Comprometo-me, perante ti e perante o Universo. Quero e vou fazer as sete cerimónias deste ciclo".
Quando conto a minha experiência, tantas vezes ouço "Não sei como consegues contar o que se passou com um sorriso nos lábios! Se fosse eu, nunca mais me apanhavam a tomar Medicina! E tu aí, cheio de força de vida e de alegria, cheio de certezas, e queres voltar". Resolvi escrever a minha experiência.
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